Vida Crônica.

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September 2010

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Sep 8, 2010
Dia 6 do Letter Project, Sobre bichos estranhos: homens, Deus...

Estranho, 

O mundo estrangeiro do eu. O mundo inteiro não explorado. O que ainda não me é, ainda não o sou. Não nos conhecemos. Passa por mim todos os dias. Em filas, congestionamento do desconhecido. São tantos e todos um só: um estranho. São todos e tantos mais, nunca conhecerei. Uma geminiana, minha amiga, já me disse “eu gostaria de conhecer todas as pessoas do Mundo… você não se sente triste por não conhecer todas as pessoas do mundo?!”. Como a maioria dos geminianos que conheço, ela é uma pessoa versátil, conversa sobre tudo, com quase todo mundo. Sabendo de mim como o sei, taurino eu mesmo que sou, apesar de não lembrar ao certo, devo tê-la respondido algo “Uma, duas ou três pessoas no mundo podem lhe oferecer o mundo inteiro nelas”.

Sou preguiçoso, sou acomodado. E acho que faz algum tempo já, não conheço ninguém verdadeiramente novo, estranho, desconhecido. Sempre escolho os amigos que refletem meus amigos anteriores. Sempre, quando em um ambiente novo, reconheço as pessoas que manifestam tal familiaridade. É latente, é bem visível. Reconheço primeiro no humor. Nunca serei amigo de alguém que não me faça rir, ou sorrir. Uma pessoa que eu não entenda o humor, e que no humor não me entenda, nunca seríamos amigos, esse sim é um estranho. O resto nasce daí.

Daí, quanto aos estranhos que gosto, mas que não sou verdadeiramente amigo, ah!, tenho quase certeza de que aproveitaria o máximo, em alguma instância, com essas pessoas, mesmo que nunca tenhamos as oportunidades. No balcão da biblioteca do Senac, todas as atendentes são ótimas, gentis, mas uma em especial, o nome dela é Estelamar, ela é especialmente gentil e doce. Já é quase uma senhora, trata os alunos com um entusiasmo e uma simpatia cujas causas inteiramente é que não residem no salário. É pouquíssimo protocolar, demora para pegar uma chave de armário que seja, mas nunca deixa de perguntar como se está, comentar os livros, indicar outros filmes, dispensar a quase todos um tratamento excepcional. Tranquilamente é que me sentaria com ela, comeria um queijo, tomaria café, se ela fosse mãe de uma amiga, amiga das minhas tias, mas, infelizmente, no mundo como ele existe, o balcão que me separa dela também limita as interações além dele, que terminam resumidas aos cumprimentos e despedidas ocasionais.

Há também os estranhos com quem eu caso, tenho filhos, constituo famílias, e vivo feliz para todo o sempre, os de metrô são os melhores. Tem as moças sentados ao meu lado nos ônibus, que ouvem Lauryn Hill no Ipod, minhas mais próximas amigas, contando na minha imaginação sobre a promoção que receberam no trabalho, o filho que esperam, ou, talvez, a última decepção amorosa que sofreram. Isso tudo cabe mais na ala da ficção, e é fruto puro de uma imaginação fértil e uma mente com tendências platônicas. Nada sei sobre essas pessoas. Nada saberei. Minha imaginação só as quer bem, e tomara que alguém, em suas vidas que eu desconheço, o faça.

Então se vive. No mundo que explodiu em existência humana, que por sua vez mudou todo o mundo como ele existia, e a aumentou a convivência entre os Eus e os seus estranhos. Temos que, de resto, nos aguentar, suportar, e respeitar, mas na maior parte do tempo, nos ignorar. Ignorarmos uns aos outros é o fino da educação que experiência humana prega. Quem não ouviu quando pequeno “Não encare o moço, isso é feio!”? E, dispensar-mo-nos tratamento nenhum é, desde então, o melhor tratamento que podemos, ao estranho. Penso que somos feudais, isso é essencialmente feudal. O estranho é o bárbaro, os conhecidos constituem o feudo: o protegido. E tornar alguém conhecido é incluí-lo na pequena muralha do ego. 

Até sonharia para o ser humano uma capacidade maior de ver-se e entender-se no outro. Uma capacidade que fosse anterior às palavras, conversas, à interação propriamente dita. Uma capacidade mental, faculdade telepática, de perceber que a alma ao seu lado sorri, e soltar um sorriso pela sua felicidade, ou perceber que sangra, que chora, e poder abraçá-la e consolá-la, como fazemos com os nossos próximos. Deus não existe, digo. Deus dizem que é onisciente, dizem. Pois se Deus existisse, e de tudo soubesse, por que Diabos não colocara no homem pouco mais dessa capacidade  de saberem-se uns aos outros? Diminuindo o abismo do estranho, unificando espíritos. Não somos à sua semelhança, afinal? Deus também é O estranho, e pede para Si mesmo, sem que O saibamos em nada, que tenhamos as fés todas Nele. Pois Deus, não tenho tempo. Fé que é sua fica para os homens. Esses não os conheço todos, nunca os conhecerei, mas meu espírito, o que dizem que você criou, tão ralo em tão pequena fôrma, meu espírito quer amar todos os homem, no fundo tem fé em todos. Que a fé aqui sirva para diminuirmo-nos nossos estranhos. E para nós mesmos, não acordarmos um dia, desconhecidos-nos, pela falta de fé nos homens.

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[Um dos Bichos de Lygia Clark, obras de alumínio, com dobradiças. Um dia, perguntaram pra artista “Lygia, quantas posições possíveis ficam os Bichos?”, Lygia respondeu “Você não sabe, eu não sei, só o bicho sabe”.]

Richie.

Sep 8, 2010
Sep 7, 2010
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Sep 7, 2010
Dia 5 do Letter Project, Sobre o passo dos sonhos, da vida...

Sonhos?,

Eu acho que são versões de mim mesmo, que vivem na minha cabeça, irrigam meus pensamentos, e as vezes, se manifestam em existência. E muito dos meus “sonhos” são reais. Eu já sou alguns dos meus sonhos. Eu vivo em São Paulo. Eu não escondo minha sexualidade. Eu convivo com moda de perto. Eu tenho excelentes amigos. Participo de festas maravilhosas. Como comidas do mundo inteiro. Vejo filmes que em quase nenhum lugar do Brasil seria possível. Conheço um punhado de museus. E isso não é matéria dos sonhos? Para quem partiu de Rondônia, sim, essa é uma vida-sonho. Uma vida muito além do que muitos meninos que nasceram em lugares precários como o que nasci, podem sonhar.

Eu serei cantor? Designer? Jornalista? Escritor? Cineasta? Figurinista? Gerente de produto? Professor? Terei casa? Um marido Guilherme ou Bruno ou Daniel? Um, dois, três filhos? Eles se chamarão Virginia, Ágata, Teo? Viverei até os trinta em São Paulo? Irei para o interior para crescer meus filhos? Terei uma casa amplamente iluminada pela luz do sol? Voltarei para São Paulo? Irei para Nova Iorque? Conhecerei Londres? AH! Que farta lista posso viver. Plena consciência tenho de que o passo da vida não alcança a velocidade do pensamento. Mesmo porque, vida que alcança pensamento não é vida, é ficção. Que quase é vida, mas não a é. E eu escolho vida, e força, e perseverança, e desilusão, e contentamento, e explosões, e uma energia que não morre na curta fronteira da imaginação, mas que extravasa o pensamento e se manifesta vida. Nos todos, os todos, os dias.

Por um sonho-vida, mais que uma vida-sonho.

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Richie.

Sep 7, 2010
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Sep 6, 2010
Dia 4 do Letter Project, E o irmão não pródigo.

Eduardinho,

Não te conheci, não me lembro de você. Você faleceu ainda bebê, com apenas 8 meses, dado uma deficiência imunológica. Nossa mãe enlouqueceu na época. Saía pelas ruas chamando o seu nome. Um quadro que só me contaram, eu nunca testemunhei, eu também era muito pequeno, tinha apenas e por volta dos 2 anos. Mas, em se tratando da nossa mãe, a dor deve ter sido excruciante. Nunca a vi desanimada, em toda a minha infância. A não ser pela época em que nosso pai saiu de casa, e porque ela ainda o amava muito, nunca a vi inconsolável, e mesmo assim, ela nunca entregara as pontas.

Não sei quem você seria. Não sei nem se eu gostaria de você, e você de mim. Tenho certeza de que se você vivesse, a minha vida seria completamente diferente, pelas mais variadas razões, desde o fato de eu não ser mais o filho, o neto e o sobrinho único, quanto à probabilidade de eu nunca ter vindo pra São Paulo estudar, afinal, nossas tias não fariam favoritismo, e acho difícil que os dois tivessem vindo.

Sua morte, tristissimamente, selou ao meu redor uma espécie de auréola, pressupondo um esforço, um cuidado, uma atenção da minha família quase toda- por parte de mãe, que é verdadeiramente a minha família- para comigo. Para manterem-me vivo, e me darem de todo o melhor que puderem, e me protegerem de todas as mazelas do mundo. Sou, de certa forma, o que sobreviveu, e àquele que deve ser dispensado o reino todo dessas mulheres, minhas tias, em níveis muito altos, minha mãe, sem exageros tão grandes, e minha vó, com sobriedade, afinal ela já teve seus próprios filhos.

E eu também, pela sua falta, fui obrigado a levar sozinho e nas costas as expectativas de todas essas pessoas, quanto aos meus amigos, e minhas escolhas profissionais, e meus amores, e meus trejeitos, meu estilo, e eu, amém que entendi muito cedo, que nasci por nascer, e que sobrevivi quase que por acaso, e que como foi você, poderia ter sido eu, e eu não haveria de levar uma vida miserável para recompensar todas essas dívidas que as entrelinhas da história selam.

O que eu te devo é, meu irmão, viver o máximo da felicidade que no mundo foi destinada para nós, Ricardo e Eduardinho. Ser o mais legítimo e sincero, para com o mundo e para comigo mesmo. Também havia a Regina, entre eu e você, mas ela foi-se naturalmente, quando ainda na barriga de nossa mãe. E não sei se por esses acasos, mas o número três, e pensar que eu seria em três irmãos, me faz querer ter três filhos, e que o número três é um número muito bom para a educação infantil, se eu puder provê-los, obviamente.

Sua falta também, a falta de irmãos, me fez buscar amigos-irmãos minha vida toda, e sempre fui muito feliz e muito bem acolhido pelos meus amigos. Dedico ao Sam, por exemplo, parte do amor que talvez fosse seu, na nossa vida, e das maneiras mais doces ele me retribui, talvez do modo que você mesmo, se pudesse, me retribuiria.

Tchau, Eduardinho, Duduzinho, Du, Dudu, Duda, Dudo, qualquer um desses apelidos que eu poderia ter te dado. Meu caçulinha! Você fica nessa carta e na ideia. E, de uma maneira estranha, obrigado.

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Richie.

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Sep 5, 2010
Dia 3 do Letter Project, Aos Nossos Pais, Segunda Parte.

Meu Pai,

Há uma parte de mim que sente por não saber muita coisa sobre você desde que parti. As vezes me pego pensando sobre sua vida, seu isolamento, sua fazenda, seus bois, seu cacau, e a Amazônia que todos os dias é seu lar. Há muito de você em mim, há muito de Riobaldo em nós. Tenho um quê jagunço que não faz desaparecer. Que eu não rejeito. Eu até gosto. E isso eu lhe devo completamente.

Não te entendo direito, porque também no todo não me entendo. Você foi, na minha infância, nas não tão frequentes voltas da Fazenda Caju, a figura masculina que é imposta à vida da maioria dos garotos. De certa forma eu rejeito figuras masculinas desde a sua. A sua é, talvez, a única que eu tenha aceitado. Mesmo porque, não foi nas figuras masculinas que me desenvolvi como homem, mas nas femininas, e de um modo que você certamente previra, alertando minha mãe e minhas tias de que elas me “estragariam me mimando nesse tanto”,  me tornei um homem sensível, que pode  buscar compreender a sua falta, ao contrário de te odiar por ela.

Eu não cabia, nunca coube, no regime da sua educação. Quem eu sou hoje em muito pouco tem a ver com o futuro que você talvez tenha imaginado para mim. Nunca fui bom de bola como você, e mesmo assim você nunca demonstrou se envergonhar por isso. Não sou flamenguista, só tento ser corinthiano. Não terei uma esposa, uma nêga, como era minha mãe pra você, mas tomara que na minha vida encontre um nêgo que me faça feliz.

Não sei o que aconteceria, se você soubesse de quem sou hoje, e da vida que levo, realmente não sei como você reagiria. Não sei se me renegaria, se gostaria de me dar um tiro com sua espingarda, se padeceria de vergonha, se diria que a vida é minha e que eu faça o que bem entender dela. Realmente não sei. Do pouco que lhe conheço, todas essas possibilidades são plausíveis. E não tenho vontade muito grande em descobrir. Não precisar do seu aval, mesmo que de um modo que você não concorde, me construiu em homem, e isso você não teria o poder de negar.

Estranha a vida, de um filho do baiano com a sua nêga, que culmina em mim como hoje o sou. Não sou, e em muitos momentos o sou, o filho do baiano, da nêga. Mas vivo em São Paulo, sou assumidamente gay desde os 14 anos, faço moda, leio Virginia Woolf, combato o sexismo, não acredito em sistema político representativo, dirijo um gol preto, uso luvas douradas do Alexandre Herchcovitch, xingo “meu cu pra você!”, e, no fim das contas, a legitimidade da minha vida, do meu eu, e não ter vergonha de mim mesmo, em grande parte eu devo a legitimidade e a falta da vergonha de um certo baiano, que sofreu com a precoce perda do pai, que também conviveu pouco com a sua mãe, e teve de aprender a ser homem desde muito cedo.

Nunca tocarei sua fazenda. Não colocarei no cocho o sal para os seus bois. Não amassarei seu cacau com os pés. Não derrubarei nenhuma castanheira para vender a madeira. Não cuidarei das sacas. Não contratarei peões. Você já o fez. Essa história já está escrita, e dessa fonte eu só bebo na minha própria história, não hei de fazê-la perdurar. É história, é passado, mesmo que você ainda viva. Só há de viver nas paredes da memória, e essa tarefa de certa forma cumpro com essa carta, de eternizá-lo e dá-lo ao meu mundo. Isso você merece. Essa carta é sua, Arcantra!

Richie.

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[Numa dessas clareiras você vive: meio homem, meio floresta.]

Sep 5, 2010
Sep 5, 20103 notes
Sep 5, 2010
Dia 3 do Letter Project, Aos Nossos Pais, Parte Primeira.

Minha Mãe,

Como você, eu gostaria de ser mais inteiro em meu todo, e desimpedido, e inspirador, e simples. E humilde, e importante, e irreverente, e sincero. E adaptado. E conforme. E feliz. E você me construiu todo assim durante a minha infância, e esses são os anos mais importantes da educação, eu penso. Seria quando eu, por experiência própria, mais me dedicaria aos meus filhos, deixando para a adolescência mera supervisão, e para a idade adulta só a companhia, e os conselhos mais sábios que tivesse.

Muito obrigado por me consultar desde cedo. Por me dar a oportunidade de seguir o curso da minha vida- que me construiu em quem eu sou hoje e não me arrependo- com apenas oito anos de idade. Em nada me entristece a minha escolha, e a sua permissão, de me separar de você tão tão cedo, a não ser pela falta que é sua e só sua nos todos os dias.

E eu nunca te deixei, tanto quanto fui atrás de mim mesmo. Não era você que talvez nivelasse baixo o meu destino, mas sim Rondônia. Rondônia e sua precariedade, Rondônia e a poeira que se confunde com gente, Rondônia e as chuvas que não caem em pingos, mas em fios d’água. A Rondônia que eu sabiamente fugi ainda pequeno, aquela que nunca me aceitaria, provavelmente me destruiria, é a mesma Rondônia, e o precário, e a poeira, e a chuva, que você tanto ama e se sente em casa.

Tenho certeza que Rondônia seria um lugar ainda pior sem você. Sem você e o seu dom de ensinar. Sem você e sua amabilidade para com os seus alunos. Sem você e a graça que você tem ao passar pela vida. Sua dedicação ao seu marido, aos seus amigos, seus vizinhos, seus bichos, esse mundo que é seu e que eu não converso com mais nada nele, a não ser com você mesma, que eu tanto amo.

Tomara que em nada o nosso existir, como ele se deu, te entristeça, pois a mim não me entristece. Não acho que te entristeça, mas não tenho certeza. Não sei se você ainda olha pelas ruas não asfaltadas de Rondônia, e ao ver qualquer menininho serelepe correndo, se lembra de mim. Não sei se em algum momento isso te deprime. E se algum dia, qualquer sentimento nesse sentido tiver te acometido, ou que vá te acometer, que seja por simples lembrança, ou por um querer do lado, ou quaisquer dessas capacidades humanas das mais singelas e puras e inofensivas, mas nunca, que nunca se trate de um arrependimento, de depressão, de qualquer coisa parecida, pois nesse caso, como em poucos na minha vida, as escolhas foram as mais acertadas.

Você é uma guerreira, um norte, um exemplo, não só pra mim, mas de vida, para toda essa humanidade deprimida que eu me insiro. E que você seja muito feliz, que você tenha sido feliz todos os anos que passei longe, mesmo porque sei que todo o bem que te desejo não significa, perto de todo o bem de mãe que você me deseja.

Que você venha me visitar nessas férias. Sempre que te vejo os anos não parecem ter existido, e você sempre esteve ao meu lado. Fatalmente você volta pra lá, eu cá fico, e as nossas vidas seguem. O que não diminui as doçuras que então tratamos juntos, e um pequeno punhadinho de novas lembranças que fazem por reafirmar a existência de amor no meu espírito.

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Richie.

Sep 5, 20101 note
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